Às vezes, é tão difícil respirar. Abro a janela do meu
quarto, no escuro da noite, para sentir a brisa que corre e, mesmo assim,
continuo sem ar. Agonizo, quase chorando, essa estranha sensação. É como se eu
morresse pouco a pouco e, desesperado, tento me acalmar. Aquela canção que
tanto gosto me ajuda a relaxar, entretanto, continuo a sentir esse vazio dentro
de mim. Há um gosto amargo em minha boca. Mas ninguém sabe, e ninguém viu;
sofro em silêncio na solidão do meu quarto.
Costumo sentar no tapete do meu quarto e arranhar minhas
costas. Arranho sem dó, para vê-las sangrar. A dor me propicia um alívio
momentâneo, mas prefiro pensar que é melhor que nada. Os cigarros me ajudam,
também, mas minhas mãos tremem sempre que vou fumá-los. O que me mata, me faz sentir
vivo. Viver também é morrer, mesmo que lentamente. Ver o sangue que escorre
também faz me sentir vivo e, de certa forma, me mostra que ainda tenho um
caminho a seguir. Seja ele qual for.
Queria não ser só, é claro. Estar sozinho por longos períodos
me deixa claustrofóbico, em pânico. Deixa minha mente parada tempo demais para
que todos os problemas e as guerras que tenho e travo tomem conta de minha sanidade.
Fico louco. Entretanto, não há ninguém que me prenda; não há nada que me
conforte. Somente palavras e mais palavras, pessoas que falam sem parar, como
se palavras fossem a solução para tudo. Palavras são nada e, na melhor das
hipóteses, vazias. Nem só de palavras vive o homem e, sem gestos, palavras são
desperdício de tempo. Na solidão, não há desperdício de tempo; somente este
verme que me come a carne e me devora a alma. Antes devorado pelo verme, do que
pelos outros.
Termino este texto sem fôlego para continuá-lo. A respiração pesada
e a animosidade baixa. É um sufoco, é desgastante. Falar sobre si, sobre como
se sente, é como arrancar com as unhas uma parte do peito e lançá-la na tinta.
Dói, e como dói. Respire. Respire outra vez. Respire fundo. Arranhe suas
costas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário