domingo, 18 de maio de 2014

SESSÃO RETRÔ 1: Relativo ao meu amor

 O que eu faço para te entender?
Os dias passam, as horas voam
O tempo anda, e não volta atrás
Eu olho os dias, eu conto as horas
E sinto o tempo que deixei passar
  
Significam para mim relativos
Ao que você significa para mim
Só passam, só voam e só andam
Se assim desejar
Mas, com você, sei que assim não seriam
Não passariam os dias, pois haveria de os aproveitar
Não voariam as horas, pois não as iria contar
Não andaria o tempo, pois contigo preso a ele haveria de estar
  
Mas longe de ti, os dias fogem
As horas me escapam e o tempo longe está
Todos eles relativos ao que você para mim significa

E o que eu sinto, a tudo se conecta, a tudo explica
Pois quando te vejo, sinto um mal estar
Presságio de meu desejo proibido, desejo contido
Desejo não correspondido... mas eu não o quero perdido
E o que eu sinto me é um aperto, um constrangimento
E eu até tento me segurar
  
Mas não dá, e na indecisão de ir ter contigo
As horas voam sem parar
Mas o meu coração cá está, pés no chão
Esperando com paixão um tempo chegar
Relembrando os sorrisos bobos, as palavras soltas
Que lançastes ao ar, naquele domingo, naquela segunda
Nos dias que nos encontramos

Jamais fixação, as lágrimas me são testemunhas
Quietas e discretas, sabem de tudo o que espero, tudo que quero
Me são testemunhas de que o tempo pode até voar
Mas não é perfeito ao matar a saudade e minha vontade
Pode encobri-los em sua leda maldade, mas jamais silenciar
  
Contra o tempo, a esperança, a paciência
A perseverança. O sorriso no rosto. Não é esboço, é real e vivo
Contra o tempo, a reflexão e a ansiedade
Me fazem pulsar o coração, me fazem sentir a tensão, o tesão
Contra o tempo, o sentimento
Irrequieto, inexplicável, inexprimível em português
Em inglês, em francês, em japonês, apenas na língua do coração
  
E eis que me vem a fadada pergunta, a pergunta que não se quer calar
O que hei de esperar do tempo?
Que corra, que voe, que passe, que me deixe para trás
Ou que pare, que fique, que deite e repouse, conosco a aproveitar
A resposta me faz escrever este poema
Recitando este dilema, que não vai me abandonar
Até que eu beije sua boca, até que eu sinta seu cheiro
Até que eu sorria contente, até que eu me sinta em paz

*****



Música autoexplicativa.

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