segunda-feira, 16 de junho de 2014

Manequins de grifes

Todos os olhos
Que me enxergam, na noite
Vazios e blindados
Opacos do escuro
Nem a lua os ilumina
Nem a seus corpos marmóreos
Vazios e blindados
E sem vida

Todos bem vestidos
Arranjados e bebendo vinho
Festando e comemorando
Entre papos de bar
Como manequins de grifes
Como bonecas Barbies
Vazios e blindados
Do frio e da vida

Poucos são os desgarrados
De jaquetas rasgadas
Corpos marcados de pintas desproporcionais
Rostos com marcas
Que os tornam mais Pedros
E menos Jesus

De olhos blindados
Escuros e profundos
Óculos de sol
Escondendo os cacos
Bebendo conhaques
Vestindo G.A.P. querendo ser Prada
Como Lolitas biscates
Por um pedaço do pão

Manequins e robôs
Conversam em línguas
E em línguas se entendem
Uns pretendendo e outros querendo

Ser o que jamais serão

***

Só Deus sabe o quanto quis ser como estes manequins..... vazio e blindado.

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