segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Teu belo sorriso

Esse seu sorriso, assim, branco e límpido; claro como o raiar do sol nascente. Esse mesmo sorriso tão espontâneo, tão inspirador e significativo. Sim, esse sorriso único, Bela, que só você possui; singular em todos os sentidos, em todas as suas formas. Você me conquistou pelo sorrir, e nada mais importa senão vê-la tão bem e natural  – espirituosa como jamais vi igual. Bela sorria para mim, mas, agora, tem estado triste, e padeço da falta de sua alegria, que sempre me contagiou e me inspirou (e me inspira, agora, a cá escrever este texto).
Os tempos mudam, Bela, e assim o mundo. As horas correm, as pessoas vêm e vão; os bons momentos surgem, e as oportunidades, e os dias findam para, enfim, renascerem. Você, não. Continua a mesma, eu acredito, com o sorriso tão branco e ímpar, inimitável. As lágrimas que hoje correm são passageiras, eu lhe garanto. Pesam e doem, desidratam a alma e os olhos cansados; matam, um pouco, sim, mas não por completo e logo se esvaem; acabam. Você, não. Perdura, como carvalho em meio a tempestade — de raízes profundas e tronco espesso — e segue adiante, firme e forte. Preciso lhe contar, eu sei, como me apaixonei por teu sorriso. Descobri o porquê de sua brancura, que não vem dos dentes limpos, mas de seu candor. É isto que difere o teu sorriso dos outros, esta pureza de intento que faísca como ninguém. E é por isso que, em meio a suas grossas lágrimas que me cobrem frias, eu juro, eu espero, eu acredito que, apesar de tudo, seu sorriso se manterá; renascerá amanhã assim como o sol volta ao céu reluzente e majestoso: seu sorriso voltará para me acalentar e receber em meio aos seus abraços e carinhos. Bela, por favor, sorria e alegre o dia; o meu, o seu, o deles.
Tenho pensado em um presente a lhe dar, sabe, desses que escolhemos para destacar o quão felizes estamos de ter uma amizade. Lancaster se foi, está longe e vive outra vida, e sinto sua falta, mas ganhei algo em troca de sua permanência (o mundo nos cobra altos preços por belos presentes como você, minha querida) na capital, tão longe daqui que sinto parte de mim desprender-se e morrer, pouco a pouco. Esse carinho e essa amizade, e me sinto tão grato e surpreso por tê-los, significam muito para mim; você significa e significou muito para ele, eu creio, e conseguiu, veja que coisa, o mesmo comigo, também. E por isso escrevo esta carta, este causo, este desabafo; vê-la chorar me atingiu, me afetou. Acredito no seu sorriso, no seu espírito e – além – acredito na candura que guarda como a um tesouro.
Não sei para onde remetê-la, mas pressuponho que de alguma forma chegue até você. E, quando vê-la novamente, após ter lido este texto, espero encontrá-la naquele teu vestido vermelho (ainda há ele?), teus cabelos loiros soltos e teus olhos bem delineados. E, ainda mais, o teu sorriso a me recepcionar. Teu belo sorriso a me recepcionar. 


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